Alunos e professores pedem que Covest volte a aplicar redação do vestibular da UFPE

Nesta quarta-feira (9), o professor de matemática Marcello Menezes entregou à reitoria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) um ofício informando sobre a maciça adesão a uma página no site de relacionamentos Facebook. No grupo de mais de 29 mil pessoas a comunidade pede que a prova de redação para ingresso na instituição seja aplicada e avaliada pela Comissão de Vestibular (Covest). Atualmente, o vestibulando precisa passar pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já que a nota equivale à primeira etapa do processo seletivo.

No certame, os estudantes fazem provas de ciências humanas e suas tecnologias – que abrange as disciplinas de história, geografia, filosofia e sociologia – e ciências da natureza e suas tecnologias – que abrange química, física e biologia. Também são respondidas questões sobre linguagens, códigos e suas tecnologias – equivalente a língua portuguesa, literatura, língua estrangeira, artes, educação física e tecnologias da informação e comunicação – além da elaboração de redação e da prova de matemática e suas tecnologias.

A polêmica sobre o assunto gira em torno da discrepância entre as notas atribuídas às provas de redação. Segundo o professor que criou o grupo no Facebook, os alunos reclamam que os professores de redação corrigem as provas e avaliam com boas notas, enquanto os textos são mal avaliados pelos corretores do Enem. “É constrangedor ver estudantes de altíssima qualidade, com notas sempre altas nas redações corrigidas por profissionais gabaritadíssimos da área terem suas notas reduzidas a pó pelo Enem”, ressaltou o professor de matemática.

O docente disse ainda que criou o grupo na rede social com o objetivo de ajudar os alunos a reinvidicar por melhorias na correção dessas provas. A página foi aberta na noite da quarta-feira (3) e hoje, uma semana após, quase 30 mil pessoas já estão engajadas na discussão. O grupo é formado por estudantes, professores, donos de instituições de ensino e profissionais de áreas que não estão ligadas à educação, como é o caso do jogador de futebol Kieza.

Para quem não lembra, antes das mudanças que fizeram as notas do Enem serem usadas na primeira fase do vestibular da UFPE, as redações eram elaboradas durante a segunda etapa do exame, junto com as provas específicas. Hoje, depois da alteração no sistema de ingresso nas federais, que aconteceu em 2010, a prova de elaboração de textos válida é a realizada pelo MEC. Com a mobilização pela internet, alunos e professoresm pedem que a redação volte a ser aplicada pela Covest durante a segunda fase do vestibular.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a redação do Enem é corrigida por dois corretores que dão notas aos textos, mas apenas o corretor mais experiente dá a nota final ao texto. Atualmente, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) estuda acionar um terceiro corretor e até implantar uma banca formada por três corretores para avaliar essas correções que apresentem notas muito diferentes.

POSICIONAMENTO UFPE – Procurado pelo NE10, o reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Anísio Brasileiro disse ter conhecimento sobre a discussão, mas afirmou que ainda não teve acesso ao ofício entregue nesta quarta-feira (9) pelo professor Marcello Menezes. Com relação ao que deve ser feito sobre o tema, o reitor informou que a sugestão será avaliada pelo Conselho Universitário, mas não especificou a data em que o assunto se tornará pauta do encontro. Anísio Brasileiro disse apenas que a próxima reunião será na semana que vem e que não será desta vez que a proposta entrará em debate.

Fonte NE10

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